Grandes empresas interessadas no algodão de Ingá: um pouco da história da Anderson Clayton

Autor: Lira Neto

Nesses dias vimos nas redes sociais que as Lojas Renner produziram uma bela campanha colocando o algodão de Ingá como protagonista. Além disso, no dia 13 de setembro de 2021 alguns representantes de grandes empresas como a Dalila Têxtil de Santa Catarina, a Santa Luzia Redes e Decoração de São Bento na Paraíba, a Cataguases de São Paulo e a Natural Cotton Color vieram ao Ingá para demonstrar interesse no algodão do município, o que me fez lembrar do período da atuação e da vinda da grande empresa norte-americana Anderson Clayton para o município de Ingá.

Figura 1: Aspectos das instalações da Anderson Clayton em Ingá.¹

Ingá, durante a modernização da agricultura paraibana estimulada no governo Argemiro de Figueiredo (1935-1940), veio a receber a empresa norte-americana Anderson Clayton devido à isenção de impostos que o governo praticava para entrada de novas usinas de beneficiamento. Em 1935 a Anderson Clayton já estava estabelecida na Paraíba. E em 1936 a Anderson Clayton chega ao Ingá.²

Sobre a história da Anderson Clayton no Brasil vale salientar que em 1926 um administrador da ANDERSON CLAYTON & CO (ACCO) visitou o Brasil para observar nossas produções. Já em 1934 deu-se o início dos investimentos dessa empresa no ramo de financiamento para o plantio de algodão, além da construção de fábricas de óleo vegetal. Em 1935, a ACCO aperfeiçoava o sistema de prensagem de algodão, aumentando a capacidade do seu transporte. E nos anos posteriores, suas instalações de beneficiamento de algodão e extração de óleo já estavam espalhadas por todo o território nacional.³

Figura 2: Aspecto externo da moderna usina de beneficiamento instalada em Ingá em 1936 e aspecto interno da usina inaugurada em Caiçara em 1935.⁴

A instalação da Anderson Clayton em Ingá trouxe grandes mudanças para a sociedade ingaense, além de exercer grande influência nas atividades econômicas do município, comprando o algodão dos agricultores locais. Por oferecer oportunidades de emprego em sua usina, alguns moradores do município se deslocaram para trabalhar para essa empresa.

Como foi demonstrado, a Anderson Clayton tinha um papel central na economia algodoeira do município de Ingá, no entanto, em um momento de crise na produção algodoeira, cuja explicação se estende para além desse texto, a empresa veio a se retirar do município. Sendo assim, esperamos que a história não se repita, que essas empresas da atualidade que demonstraram grande apoio aos agricultores do município, continuem os apoiando nos momentos de crise, pois a esperança de uma melhora de vida por meio do algodão para esses agricultores tanto depende do trabalho deles, quanto do apoio dessas empresas nos momentos de fartura, mas também nos momentos que não ocorrerem bons resultados.

¹ REVISTA O CRUZEIRO, 10 dez. 1938.

² SORRENTINO et al., 1993, p. 50.

³ DIARIO DE PERNAMBUCO, 30 nov. 1956.

⁴ A UNIÃO, 25 jan.1940.

Para mais informações ler:

LIRA NETO, José Batista de. Ingá: o município exemplo do programa algodoeiro da Paraíba (1936-1960). In: FERREIRA, Alexandre (Org.) Ingá: olhares sobre a história. 1ª Edição. Mídia Gráfica e Editora Ltda, 2021.

Texto: Lira Neto para o Itacoatiara Notícias.

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